cover
Tocando Agora:

Renato Machado boicotou exame de diplomacia para contar a história do mundo de perto

Renato Machado, referência do telejornalismo brasileiro, morre aos 83 anos no Rio O jornalista Renato Machado, ex-apresentador do Bom Dia Brasil, morreu na man...

Renato Machado boicotou exame de diplomacia para contar a história do mundo de perto
Renato Machado boicotou exame de diplomacia para contar a história do mundo de perto (Foto: Reprodução)

Renato Machado, referência do telejornalismo brasileiro, morre aos 83 anos no Rio O jornalista Renato Machado, ex-apresentador do Bom Dia Brasil, morreu na manhã desta quinta-feira (16), aos 83 anos, na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro. Um dos principais nomes do telejornalismo brasileiro, Renato construiu uma carreira de mais de quatro décadas na TV Globo, onde também apresentou o Jornal da Globo e o RJTV, integrou a bancada do Jornal Nacional e atuou como correspondente internacional e repórter especial. Filho de militar e formado em Direito, ele chegou a passar no concurso do Itamaraty, mas boicotou o exame de vista para seguir sua verdadeira vocação: ver o mundo de perto e relatar a história. Antes de estrear nas redações, experimentou a vida artística como ator e dublador, até ingressar no serviço brasileiro da rádio BBC, em Londres, no fim da década de 1960, e posteriormente atuar por 14 anos como repórter e editor internacional no Jornal do Brasil. Sua trajetória na TV Globo começou em 1982, a convite do então diretor Armando Nogueira. Rapidamente adaptado à dinâmica da televisão, Renato estreou na cobertura da Guerra das Malvinas. "Para ser telejornalista, é necessário um acúmulo de conhecimento. É saber curiosidades sobre grua, tráfego de câmera, enquadramento, cores, texto, edição. É uma troca. Um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que você erra", disse ao "Memória Globo". Renato Machado no estúdio do Bom Dia Brasil Reprodução/ Memória Globo Pouco depois, em 1983, viajou pela América Central para produzir reportagens especiais para o Globo Repórter, onde enfrentou cenários perigosos de conflitos civis e conseguiu uma entrevista exclusiva com o então líder guerrilheiro e futuro presidente nicaraguense, Daniel Ortega. Ainda em 1983, o jornalista assumiu o posto de correspondente no escritório de Londres, que foi sua base por seis anos de intensa produção. Não faltaram coberturas históricas nesse período: Renato cobriu o desastre nuclear de Chernobyl, em 1986 (acompanhado a partir da Suécia devido às restrições de entrada na Ucrânia) e os atentados terroristas em Paris no mesmo ano, ocasião em que chegou a ser detido pela polícia francesa ao filmar nos arredores de um presídio. De volta ao Brasil em 1988 como repórter especial, protagonizou momentos extremos, incluindo um voo supersônico a bordo de um caça Mirage da Força Aérea Brasileira. Após uma breve e bem-sucedida passagem pela TV Manchete em 1990, onde cobriu a Guerra do Golfo direto do Oriente Médio, Renato retornou à Globo no ano seguinte. Na emissora, participou ativamente de coberturas cruciais para a história do país, como o processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor e a trágica morte de Ayrton Senna. Em 1996, Renato Machado assumiu a bancada e a edição-chefe do Bom Dia Brasil, onde permaneceu por 15 anos e liderou uma grande reformulação editorial. Sob seu comando, o telejornal matinal ganhou um formato mais dinâmico, informal e focado no comentário ao vivo, aproximando a notícia do telespectador. Ao lado de parceiras de bancada como Leilane Neubarth e Renata Vasconcellos, ele consolidou a identidade do programa e ancorou transmissões marcantes, como a cobertura das enchentes históricas que pararam o Rio de Janeiro em 2010. Renato Machado e Leilane Neurbath no cenário do Bom Dia Brasil Acervo TV Globo O jornalista regressou a Londres em 2011 para uma nova temporada como correspondente, cobrindo crises europeias e ataques terroristas, além de produzir crônicas e séries especiais sobre comportamento e cultura. Em 2016, transferiu-se de volta ao Rio de Janeiro como repórter especial do Globo Repórter — trabalho que lhe rendeu uma indicação ao Emmy Internacional pelo documentário "A Arte como Passaporte". Apaixonado por vinhos, Renato encerrou seu ciclo na emissora em novembro de 2021 e escrevia sobre o assunto em jornais e revistas. Ele deixa um legado inestimável de carisma, precisão e elegância na televisão brasileira.